2011 – O ano dos tecnocifrões

Postado em 27. dez, 2011 por em Notícias

Mesmo com a fragilizada economia americana e a crise europeia, o setor de tecnologia vem esbanjando ainda mais vitalidade este ano. Não por acaso, as megafusões e aquisições já somam US$ 139,3 bilhões, considerados os negócios anunciados até setembro. A cifra supera em 17% todas as transações do ano passado — que registraram US$ 119 bilhões de janeiro a dezembro — e faz com que especialistas considerem este um ano histórico para o setor, comparável a momentos como o advento da internet comercial ou a migração para o computador pessoal.

Os números, da consultoria Ernst & Young Terco, mostram ainda que as fusões e compras mantêm trajetória crescente. No terceiro trimestre, foram anunciados 759 negócios, movimentando US$ 56,4 bilhões, 22% a mais que os US$ 46,1 bilhões do mesmo período no ano anterior. Em relação ao segundo trimestre deste ano, quando o total chegou a US$ 52,1 bilhões (em 777 negócios), o aumento foi de 8%.

Nesse bolo, não entram só os investimentos das empresas. Os private equities, ou fundos de capital de risco, também apostaram pesado no setor de tecnologia, capitalizando empresas e aumentando seu caixa. Essas apostas quase dobraram no trimestre encerrado em setembro: em relação ao trimestre anterior, o aumento foi de 82%, para US$ 14,6 bilhões. Em comparação com o mesmo trimestre ano passado, a alta foi ainda maior, de 86%.

Se no segundo trimestre a aquisição que puxou o “bonde” dos bilhões em tecnologia foi a compra do Skype pela Microsoft por US$ 8,5 bilhões, seguida pela aquisição da National Semiconductor Company pela Texas Instruments por US$ 6,07 bilhões, no trimestre seguinte a maior transação foi a compra da Motorola Mobility pela Google, por US$ 12,5 bilhões. Outro negócio acima da marca dos US$ 10 bilhões ocorreu no período — quando a Hewlett-Packard (HP) levou a empresa de análise de dados Autonomy por US$ 10,22 bilhões.

De acordo com a pesquisa da Ernst & Young Terco, em 2011, o grande motor dessa exuberância — nada irracional, diga-se de passagem — é a contínua inovação tecnológica que enche os olhos dos investidores de cifrões, prevendo grandes ganhos potenciais em setores como computação em nuvem, mobilidade inteligente, vídeos em streaming on-line, redes sociais e, sobretudo, o chamado setor de ig data — análise de grandes volumes de dados que tornam a experiência techie de usuários — pessoas físicas $jurídicas — cada vez mais personalizada. No levantamento, esse setor foi responsável por 24 fusões.

— Essa análise de dados permite estruturar a grande quantidade de informações que existe sobre esses usuários na internet e nas redes sociais — diz Bruno Magrani, professor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getulio Vargas. — As empresas investem cada vez mais em maneiras de processar e interpretar esse volume gigantesco de informações, Daí a aquisção da Autonomy, especializada justamente nisso, pela HP.

Segundo Ricardo Reis, executivo líder de Fusões e Aquisi$ções da Ernst & Young Terco, a consolidação das tecnologias mencionadas explica a chuva de transações, já prevista desde o começo do ano.

— As fusões e aquisições advêm de uma corrida das grandes empresas para se posicionarem bem nas novas tendências de cloud, mobilidade, redes sociais etc, que apontam para o futuro — afirma Reis. — E este ano concorreu ainda para isso o fato de as empresas estarem fortemente capitalizadas.

Google fez 57 aquisições

De fato, no último trimestre as 25 maiores empresas de tecnologia do mundo tinham em caixa o montante de US$ 632 bilhões, contra US$ 486 bilhões no início de 2010. Reis explica que elas começaram a guardar dinheiro a partir da crise no mercado americano em 2008, preparando o terreno para a atual expansão:

— As empresas de tecnologia têm essa tendência: não costumam pegar dívidas e vão acumulando capital. Uma espécie de backup, útil justamente para quando surgem as trilhas da inovação.

A volatilidade da macroeconomia que afeta outras indústrias parece passar ao largo do setor tecnológico. Joseph Steger, executivo líder de Transações Globais de Tecnologia da Ernst & Young Terco, diz no estudo que “nesse período de hiperinovação os valores dos negócios são puxados para cima, porque as empresas querem permanecer com$, e o processo de transformar tal inovação em produtos e serviços economicamente viáveis frequentemente envolve fusões e aquisições”.

Só a Google fez 57 aquisições no ano, tanto que o presidente do conselho da gigante, Eric Schmidt comentou semana passada num evento em Paris que a empresa “compra uma empresa por semana”.

De tal quadro vem também o apelo da cloud computing e, por tabela, de maiores investimentos em segurança da informação (uma área que nunca sai de moda). “À medida que o tempo passa, as tendências tecnológicas se integram umas às outras,” diz Steger.

— E se junta a tudo isso o aumento no número de IPOs (ofertas públicas de ações) este ano, coisa a que os fundos de capital de risco estão sempre atentos. Eles investem justamente para faturar muito mais num IPO, que paga melhor que o simples retorno de investimento — conta Reis. — Quando há grandes IPOs, o mercado indica aos fundos que está na hora de investir de novo em dado setor. E isso contribuiu para o maior número de negócios.

Entre os grandes IPOs do ano, estão o do Groupon (US$ 700 milhões) e o do LinkedIn (US$ 352 milhões). Entre os mais aguardados para 2012 está o do Facebook.

Fonte: http://oglobo.globo.com/tecnologia/o-ano-dos-tecnocifroes-3429801

Deixe um comentário

You must be logged in to post a comment.